Zatanna: Hora do Show
- Maicon Epifânio

- 8 de jan.
- 7 min de leitura
Sinopse:
Os palcos sempre chamam Zatanna Zatara — e ela sempre está pronta para atender à convocação. Quando uma criatura sobrenatural ataca e sequestra os seus colegas de equipe, no entanto, a heroína se vê vítima de uma teia sinistra. A misteriosa Dama Branca, famosa artista do cinema no passado, é uma peça em um jogo maior ou o maior obstáculo pessoal que Zatanna já enfrentou? Enquanto a filha de Giovanni Zatara precisa lidar com suas questões internas e uma maldição inesperada, uma terrível adversidade do passado vem para tentar aniquilar tudo o que a heroína tem como verdade de si mesma. O que restará de Zatanna no fim?

Edição #1
História envolvente com uma arte belíssima. A equipe criativa soube explorar o conceito da Magia Reversa da heroína em detalhes que fascinam como o título do capítulo. Destaco o momento em que ela usa linguagem de sinais para efetuar um encantamento, algo raro que quase não vemos outros artistas explorando com a Zatanna.
Acompanhar a jornada dela tentando salvar seus colegas de trabalho é bem interessante, mas o excesso de elementos visuais e a pouca explicação para tudo tornam o processo potencialmente confuso. Não é um grande defeito, mas penso que a construção desta história tem um excesso de estímulos visuais e informações não tão explicadas que dificultam a leitura de qualquer um que seja inexperiente com esta personagem. Talvez não fosse uma construção ideal para um capítulo inicial de minissérie. No geral, é uma história muito boa que consegue fechar mantendo o interesse do leitor bem em alta.

Edição #2
Usar magia para alguém com potencial quase ilimitado é como brincadeira de criança. A consequência do capítulo anterior muda essa realidade para Zatanna, o que torna a leitura muito mais interessante. Afinal, estamos lidando com uma mulher extremamente poderosa, mas ao mesmo tempo bem vulnerável como qualquer um com corpo mortal. Isso torna a experiência de leitura mais atrativa porque tudo pode acontecer.
O que mais se destaca aqui pra mim, no entanto, é como o roteiro explora o jeito de ser da heroína. Ela sempre foi o tipo de personagem que evita pedir ajuda para não prejudicar os outros e tenta resolver tudo por si só. A culpa é uma camada importante de Zatanna e o enredo explora isso muito bem aqui.
Sua empatia é o que a torna uma heroína e uma pessoa admirável, mas também é o que a coloca em situações de perigo e em problemas demais. Enquanto isso, o mistério segue despertando bem a nossa curiosidade. Por fim, a maneira que cada capítulo usa para começar contando um pouco da história dos pais da protagonista é genial. Esta minissérie segue se provando como uma ótima forma de começar a ler Zatanna.

Edição #3
Este capítulo é um espetáculo visual do início ao fim. O auge da elegância visual e narrativa para uma personagem que combina grandiosamente com esse estilo. Zatanna brilha como uma protagonista poderosa que está sendo contida por uma força ainda misteriosa, mas que mesmo assim faz tudo o que é necessário diante das adversidades.
Normalmente, seus poderes são quase ilimitados e sem custos: por isso, essa escolha criativa do roteiro torna a condição espiritual degradante dela, a cada novo feitiço, um elemento narrativo que engrandece a experiência do leitor. Zatanna é poderosíssima, mas mesmo em situações delicadas ela tende a afastar ajuda dos outros por temer fazer mal a inocentes.
Porém, como ocorre neste capítulo, é justamente a teimosia dela nesse sentido é que causa tragédias e problemas aos outros. O embate entre ela e Cara-de-Barro é alucinante, tanto em termos de arte quanto de roteiro. O drama dele é palpável e a própria Zatanna compreende a dor da perda, mas ao mesmo tempo entende que nenhum inocente deve ter sua vida maculada pela dor dos outros.

Irmão Noite e Dama Branca ainda não mostraram ao que vieram, mas ao menos aqui temos um vislumbre do que motiva essa segunda antagonista: vingança. O que temos para entender com este episódio aqui é que algo no passado da vilã a conecta à família Zatara e isso explica todo o seu plano que deu início a história da HQ como um todo — ou pelo menos há uma conexão entre tudo isso, que poderá te surpreender mais adiante.
É louvável o quanto Jamall Campbell, tanto na arte quanto no roteiro, alcança o seu auge neste capítulo sem que esperemos por isso: de repente, a trama explode no conflito da heroína com o Cara-de-Barro e o leitor corre o risco de perder o fôlego! Isoladamente, esse capítulo é um primor de abordagem sobre o luto, a dor da perda e o descontrole diante das emoções negativas.
Edição #4
Alguns capítulos gerando expectativas sobre a Dama Branca e suas motivações contra Zatanna para, neste capítulo, a nova vilã ser reduzida a uma peça do Irmão Noite. Nesta parte do enredo, apenas ele e a protagonista possuem participações realmente interessantes.

Os integrantes da equipe da feiticeira, que funciona como um elenco de apoio, não possuem nada demais que os destaque de alguma maneira como era com Adam. Ao mesmo tempo, o apoio deles à heroína é que lhe dá uma ideia para agir e encontrar a verdade por trás do complô que armaram contra ela. Isso reforça aquilo que foi trabalhado anteriormente: Zatanna sempre tenta afastar seus amigos e pessoas que tentam ajudá-la, mas no fim fazer isso é sempre mais problemático do que aceitar suporte.
É uma evolução significativa com a protagonista na minissérie, uma vez que sua mudança de postura tem efeitos positivos reais. Os momentos de ação não empolgam tanto quanto na parte anterior, mas funcionam dentro do possível. Por outro lado, o capítulo se encerra com um gancho bem interessante, o suficiente para nos convencer a levar a leitura adiante.
Edição #5
Que capítulo sufocante! No bom e no mau sentido. A minissérie, até aqui, vem se provando uma excelente história, isso é fato. Porém, algumas coisas são abordadas de maneira muito explosiva e sem uma preparação adequada. Esse capítulo é o auge disso, uma vez que nos apresenta diversas identidades de seres e elementos envolvidos em uma trama contra a Zatanna que, até então, parecia se resumir aos planos do Irmão Noite e seus lacaios.
A revelação sobre a Dama Branca é positiva, visto que seria um baita desperdício de design essa vilã ser somente uma comandada do Irmão Noite. O maior problema da edição, ao meu ver, é Zatanna chegar ao nome da espada amaldiçoada do mais absoluto nada, sem que nenhuma pista dos capítulos anteriores tenha traçado o início desse caminho. É possível ela simplesmente ter sacado de imediato devido ao seu vasto conhecimento místico? Claro! Contudo, faz parecer que o texto apenas está usando uma solução fácil quando poderia ter sido algo gradualmente construído durante a minissérie.

A primeira metade da edição, relembrando os momentos mais trágicos da heroína, é fenomenal. A arte e a composição visual como um todo, além da narração e de pequenos detalhes no texto dela... Tudo é brilhante! Novamente, o enredo como um todo se prova como uma das melhores maneiras de se começar a ler Zatanna e entender seus dramas principais. A inteligência do roteiro de conectar cada detalhe na narração ao que Z faz para recuperar sua magia é louvável.
Do mesmo modo, a potente mensagem sobre mentiras tem grande força. Ao nos convencermos de que somos indignos dos nossos méritos, dando mais atenção aos nossos fracassos, a mentira sobre nós mesmos ganha poder em nossa vida e torna tudo realidade. O capítulo tinha tudo para ser, com folga, o melhor momento da HQ completa, mas as pequenas falhas mencionadas enfraquecem ligeiramente a experiência no saldo final.
Edição #6
Até que enfim todas as arestas soltas são resolvidas e todos os vários plots da Hq se conectam. E a maneira como tudo se amarrou consagrou o último capítulo como uma narrativa praticamente sem nenhuma falha. É curioso como Allura e Dama Branca roubaram a cena do Irmão Noite desde que a aliança delas nos é revelada. Isso é bom porque foi uma baita e grata surpresa.

Após muito tempo esquecida pela cronologia da DC, Allura retornou nesta obra de maneira triunfal e seu desfecho é justo e interessante, abrindo margem para novas explorações futuras. A Dama Branca também encerrou seu arco aqui de maneira aberta e com certeza será vista novamente nos quadrinhos da DC.
A contribuição dos amigos de Zatanna e ex-integrantes da Liga da Justiça Sombria não é apenas um fanservice tocante, mas a cereja do bolo de uma mensagem poderosa. Não importa quão forte você seja, sempre esteja aberto para contar com o apoio de amigos. Aqueles que se importam conosco, muitas vezes, podem nos ajudar em batalhas que não venceríamos sozinhos. Por outro lado, cada um dos aliados fazem sua parte sem retirar o protagonismo de Zatanna, que é quem de fato sobrepuja as ameaças aqui por definitivo.
O Laço da Verdade da Mulher-Maravilha também é uma peça aqui que foi muito bem utilizada, contrastando com as mentiras representadas pelo artefato mais importante da narrativa. Isso foi simbólico e comprovou o quanto Jamal Campbell é talentoso. Há momentos lindíssimos nesta edição, talvez uma das mais belas visualmente de toda a minissérie.

O único defeito nesse sentido é que Jamal insiste em momentos da Zatanna recitando frases longas para criar feitiços em batalha. É poético, mas pouco prático, visto que a velocidade dos encantamentos faz diferença — deveria fazer, pelo menos. Ao longo da minissérie, isso ocorreu mais de uma vez e é compreensível que faça parte da poética do autor, mas a DC deveria investir em mais estabilidade na forma de Zatanna usar seus feitiços (para evitar flutuações e distanciamento dos leitores por consequência).
Apesar disso, todo o restante da edição é de alto nível e essa falha prática não é suficiente para minar o saldo final de uma HQ de tamanha excelência. Jamal soube explorar o poder, a personalidade cativante e as fraquezas e vulnerabilidades da heroína-título não apenas aqui, mas em toda a minissérie do início ao fim. Esta edição se encerra comprovando o quanto a DC perdeu ao longo dos anos por não investir adequadamente em uma de suas personagens femininas mais frutíferas e interessantes.
Considerações finais
Apesar de pequenas arestas pontuais, considero esta minissérie como uma das melhores obras protagonizadas por heroínas da DC da última década, em seu universo regular. Pode parecer exagero, mas há anos a editora não se empenha em entregar um material acima da média nesse segmento — e até a Mulher-Maravilha não é exceção.
Zatanna sempre foi uma personagem cativante com imenso potencial, mas escanteada como quase todas as outras heroínas da editora além da que sabemos ser a principal. Uma trama que fala sobre luto, saudade, culpa, o valor de grandes amigos e o poder da identidade. É uma excelente opção não apenas para quem quer conhecer a protagonista, mas para quem quer ler uma boa história com temas tão interessantes sem a contaminação dos velhos vícios das HQs mainstream. Recomendo!

Roteiro: Jamal Campbell
Arte: Jamal Campbell
Lançamento: 2025
Nota: 5




Comentários